Nicarágua e África do Sul Pressionam Israel
A Alemanha negou as acusações de ajuda ao genocídio em Gaza através da venda de armas a Israel, com uma ação judicial apresentada pela Nicarágua na ONU. Tania von Uslar-Gleichen, conselheira jurídica do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, defendeu perante os juízes do Tribunal Internacional de Justiça que o caso da Nicarágua foi precipitado, baseado em provas insuficientes e deveria ser descartado por falta de jurisdição.
Segundo dados do Ministério da Economia, a Alemanha forneceu 326,5 milhões de euros (equivalente a 353,70 milhões de dólares) em equipamentos militares e armas a Israel em 2023, tornando-se um dos seus maiores fornecedores de armamento. Von Uslar-Gleichen afirmou que as exportações de armas alemãs são rigorosamente examinadas para garantir a adesão ao direito internacional.
“A Alemanha está fazendo o máximo para cumprir com sua responsabilidade para com o povo israelense e palestino”, disse ela, destacando que a Alemanha é o maior doador individual de ajuda humanitária aos palestinos. A segurança de Israel é uma prioridade para a Alemanha devido à história do Holocausto, acrescentou von Uslar-Gleichen, referindo-se ao termo hebraico Shoah.
Christian Tams, advogado da Alemanha, informou ao tribunal que desde os ataques de 7 de outubro por militantes do Hamas e a ofensiva retaliatória, 98% das exportações de armas para Israel consistiam em equipamentos gerais como coletes, capacetes e binóculos. Dos quatro casos em que foram aprovadas exportações de armas de guerra, três envolviam armamentos impróprios para uso em combate, como munição de treino.
Advogados da Nicarágua pediram ao CIJ na segunda-feira que ordenasse à Alemanha a suspensão das vendas de armas para Israel e o reinício do financiamento da agência de refugiados palestinos da ONU, UNRWA. Eles argumentaram que Berlim violou a Convenção sobre o Genocídio de 1948 e o direito humanitário internacional ao continuar fornecendo armas a Israel, mesmo ciente do risco de genocídio.
Israel defende que sua guerra é contra militantes assassinos do Hamas, e não contra civis palestinos, e que é vítima de difamação. Os ataques do grupo islâmico em 7 de outubro mataram 1.200 pessoas, segundo contagens israelenses. Mais de 33.000 palestinos foram mortos na ofensiva de Israel em Gaza desde então, conforme o ministério da saúde no enclave controlado pelo Hamas.
O CIJ deverá emitir medidas provisórias sobre o caso da Nicarágua nas próximas semanas, mas uma decisão final pode levar anos e o tribunal não tem poder para impor sua execução. Em janeiro, em resposta a uma acusação da África do Sul, o CIJ decidiu que as reivindicações de que Israel violou alguns direitos garantidos pela convenção sobre genocídio eram plausíveis e pediu a suspensão de quaisquer atos potenciais de genocídio.