Debate Aceso Sobre Alterações nas Propriedades Cipriotas Turcas
Um intenso debate surgiu na terça-feira entre o Ministério do Interior e o Serviço de Auditoria sobre as alterações propostas na legislação que regula a gestão das Propriedades cipriotas turcas. A discussão, que ocorreu durante uma sessão do Comité dos Refugiados da Casa, levantou preocupações entre os deputados presentes.
O Auditor-Geral, Odysseas Michaelides, expressou receio quanto às mudanças sugeridas que permitiriam que as
Em contrapartida, o Ministério do Interior defendeu a emenda, argumentando que ela eleva o estatuto das pessoas deslocadas que residem em habitações cipriotas turcas e lhes concede o direito de transmitir o direito de arrendamento aos seus filhos, sob certas condições. O Ministério acrescentou que a herança não se refere à propriedade em si, mas sim à licença de uso, uma vez que a propriedade é protegida pela constituição.
A resolução desta questão, segundo o Ministério, corrige um problema antigo que criou desigualdades e sentimentos de injustiça entre os deslocados. Afirmou ainda que a natureza hereditária da licença de uso das casas cipriotas turcas visa principalmente corrigir a injustiça sofrida por aqueles que nelas residem e não podem utilizá-las para satisfazer as necessidades habitacionais dos seus herdeiros.
O Ministério do Interior enfatizou que serão introduzidos critérios claros e meritocráticos para a elegibilidade e classificação dos beneficiários, com o objetivo de limitar a discricionariedade do guardião e evitar abusos e exploração das propriedades.
Por outro lado, Michaelides apontou que as Imóveis cipriotas turcos são teoricamente atribuídos a refugiados sem casa própria, mas podem acabar nas mãos de pessoas abastadas, enquanto refugiados sem abrigo podem ficar desalojados. Ele questionou ainda o que aconteceria quando um beneficiário falecesse deixando múltiplos herdeiros.
O presidente do comité, o deputado Nikos Kettiros do Akel, reconheceu a tentativa de racionalizar a gestão das propriedades com novas regulamentações. No entanto, ele destacou que o Serviço de Auditoria expressou reservas significativas quanto às alterações, especialmente no que diz respeito à definição de transferência para herdeiros e sucessão.
Kettiros mencionou que o Auditor-Geral fez referência a condições de “mercado negro”, aludindo à possibilidade de transações ilegais emergirem da transferência de uso das propriedades para deslocados, não necessariamente herdeiros.
A discussão sobre as alterações propostas continua, com a busca por um equilíbrio entre a proteção dos direitos dos refugiados e a integridade da gestão das Propriedades cipriotas turcas, um legado complexo da história da ilha.