Decisão Judicial Sobre Alterações Climáticas Provoca Reações na Suíça
Uma decisão judicial do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos tem provocado um intenso debate na Suíça. O tribunal, com sede em Estrasburgo, decidiu a favor de mais de 2.000 mulheres suíças que argumentaram que o governo suíço não fez o suficiente para combater as alterações climáticas. Esta decisão é vista como um potencial catalisador para que mais pessoas apresentem casos contra governos sobre questões climáticas.
Enquanto os grupos ambientalistas celebram, editoriais de jornais influentes na Suíça expressaram preocupação, sugerindo que a decisão sobre as alterações climáticas poderia minar a democracia e a influência política desses grupos. O jornal Neue Zuercher Zeitung (NZZ), de centro-direita, classificou o veredito como “absurdo” e acusou o tribunal de intervir na política climática a partir da bancada dos juízes.
O jornal descreveu a decisão como uma “jurisprudência ativista”, que poderia abrir caminho para “todo o tipo de reivindicações”, e sugeriu que as requerentes idosas foram usadas como peões pelos lobbies ambientais que utilizaram o tribunal para contornar o debate democrático.
A Suíça, conhecida por seus referendos regulares que testam os limites da formulação de políticas nacionais, comprometeu-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50% até 2030, em relação aos níveis de 1990. No entanto, medidas mais fortes propostas pelo governo foram rejeitadas pelos eleitores em um referendo em 2021.
O jornal diário nacional Blick, sob o cabeçalho “Não queremos justiça climática”, chamou a decisão do tribunal de “questionável” e alertou que provavelmente aprofundaria as divisões sobre a política climática. O Tages-Anzeiger, de centro-esquerda, por sua vez, destacou que, embora o tribunal tenha apontado as limitações da agenda climática da Suíça, a democracia poderia ser pressionada se os tribunais começassem a moldar políticas.
Fazendo referência ao referendo de 2021, o Tages-Anzeiger salientou que a decisão corria o risco de confirmar a visão amplamente difundida de que o tribunal estava interferindo na tomada de decisões nacionais. Isso poderia, por sua vez, prejudicar os ambientalistas nas urnas quando eleitores insatisfeitos expressassem sua frustração “contra os partidos Verdes que agora querem usar o veredito para sua agenda política”, concluiu o jornal.