Relatório Avalia o Sistema de Saúde de Chipre
O mais recente relatório de avaliação do esquema nacional de saúde de Chipre, Gesy, revelou uma redução significativa nas despesas de saúde diretas para os pacientes. Nos últimos três anos, essas despesas caíram de 50 para cerca de 15 por cento, segundo o documento divulgado pelo ministério da saúde na quarta-feira.
O relatório forneceu uma avaliação abrangente do desempenho do esquema, destacando que o Gesy conseguiu garantir igualdade de acesso aos serviços de saúde, permitindo aos beneficiários escolherem os seus prestadores de saúde preferenciais. No entanto, apontou que ainda existem áreas a necessitar de melhorias, incluindo o acesso desigual dentro de certos demográficos.
Um dos problemas identificados foi o dos tempos de espera prolongados para consultas com alguns médicos especialistas. Cerca de 85 por cento dos encaminhamentos sofrem atrasos de até 30 dias e, em alguns casos, até seis a oito meses.
O relatório mencionou também que alguns hospitais privados podem ter evitado admitir pacientes com condições complexas ou idosos, considerando esses casos economicamente inviáveis, especialmente quando encaminhados pelo Gesy. A superutilização dos serviços de saúde foi outra questão levantada, atribuída à provisão de serviços gratuitos que levam a decisões impulsionadas pelos pacientes sem consideração dos encargos financeiros potenciais.
A falta de uma cultura de saúde adequada e educação suficiente dos pacientes contribui para as pressões sobre o sistema de saúde, pois os pacientes frequentemente assumem o papel dos médicos, determinando independentemente os serviços de saúde de que necessitam.
O aumento das clínicas laboratoriais, centros de coleta de sangue e instalações de diagnóstico por imagem foi destacado como um problema emergente que, se não for abordado, poderá sobrecarregar o orçamento da saúde a longo prazo.
Ainda existe confusão sobre a entidade responsável pela realização de exames médicos dentro do Gesy, uma incerteza que prejudica o direcionamento eficaz e cria expectativas equivocadas, permitindo que prestadores oportunistas explorem a situação.
O relatório enfatizou a lacuna no cuidado dos pacientes com mais de 70 anos, especialmente no manejo do pós-hospitalização. Muitos idosos, após cirurgias, não conseguem cuidar adequadamente de si mesmos e, em vários casos, os familiares pressionam os hospitais para prolongar as estadias dos pacientes além dos períodos clinicamente justificados até que instalações de cuidados especializados sejam asseguradas.
Concluir sobre a qualidade dos serviços prestados mostrou-se um desafio. O relatório sublinha que há um debate considerável sobre o assunto, geralmente limitado a experiências pessoais. Com a implementação do Gesy, duas situações completamente diferentes foram vivenciadas pela população: um sistema público baseado em critérios de renda e outro privado para aqueles que podiam pagar. Assim, enquanto algumas pessoas beneficiaram fortemente da implementação do Gesy, outras estão menos satisfeitas por partilharem as mesmas provisões que todos os outros beneficiários.