Atualização de Dados e Implicações na Tributação dos Dividendos
Numa recente discussão com Robert Goulder, editor contribuinte da Tax Notes, Steven Rosenthal e Livia Mucciolo, ambos do Urban-Brookings Tax Policy Center, abordaram uma questão premente no âmbito fiscal: a diminuição da base tributável dos accionistas. Esta tendência decrescente poderá ter implicações significativas na política tributária, especialmente no que se refere à tributação dos dividendos e aos rendimentos de capitais.
Os dados atualizados revelam que a percentagem de accionistas tributáveis tem diminuído substancialmente ao longo do tempo. O que outrora era uma maioria, hoje representa apenas cerca de 27%. Este declínio levanta questões sobre a eficácia com que os dividendos e os rendimentos de capitais estão a ser tributados. A investigação que sustenta esta conclusão tem cerca de uma década e o artigo em destaque, intitulado “Who’s Left to Tax? Grappling With a Dwindling Shareholder Tax Base”, procura entender as lições aprendidas nos anos intermédios.
O maior grupo de accionistas não tributáveis são os investidores estrangeiros, cujos ganhos de capital são originados no exterior e isentos de impostos. A seguir, encontram-se as contas de reforma e algumas instituições sem fins lucrativos. A ascensão da propriedade estrangeira é particularmente notável, tendo passado de 16% para quase 40% da base tributável dos accionistas desde a última grande reforma fiscal.
A metodologia e os dados utilizados na pesquisa foram deliberadamente tornados transparentes para incentivar o escrutínio e a continuação do debate. O apêndice do artigo detalha o processo de análise dos dados, refletindo uma tendência crescente na pesquisa de ser aberta e acessível.
As implicações desta mudança na composição da base tributável são vastas. Por exemplo, a redução do imposto corporativo de 35% para 21% em 2017 resultou num benefício significativo para investidores estrangeiros, o que levanta dúvidas sobre a eficácia das políticas fiscais “America First”. Além disso, a estrutura tributária atual favorece recompras de ações em detrimento de distribuições de dividendos, especialmente para investidores estrangeiros e contas de reforma isentas de impostos.
O artigo sugere que uma solução potencial para equilibrar a tributação poderia envolver a implementação de um imposto retido na fonte sobre distribuições corporativas para investidores estrangeiros. Tal medida poderia compensar a diminuição da matéria coletável dos accionistas, garantindo que os rendimentos gerados dentro dos Estados Unidos sejam adequadamente tributados.
Com estas descobertas, Rosenthal e Mucciolo lançam um novo olhar sobre o sistema fiscal atual e desafiam os legisladores a considerar reformas que possam endereçar as disparidades reveladas pela sua pesquisa.