Tragédia Familiar na Faixa de Gaza
Numa série de eventos que marcaram mais um capítulo sombrio no conflito israelo-palestiniano, três filhos do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, perderam a vida num
Haniyeh, que reside atualmente no Qatar, tem sido uma figura proeminente na diplomacia internacional do Hamas durante o conflito em curso com Israel. A sua residência familiar em Gaza foi destruída num ataque aéreo israelita em novembro passado. Os seus três filhos – Hazem, Amir e Mohammad – foram mortos após o carro em que viajavam ser bombardeado no campo de Al-Shati, segundo informações do Hamas. Três netos de Haniyeh também foram vítimas fatais do ataque, e um terceiro ficou ferido, conforme relatado pelos meios de comunicação do Hamas.
Em declarações à televisão Al Jazeera, Haniyeh, de 61 anos, afirmou: “O sangue dos meus filhos não é mais precioso do que o sangue do nosso povo.” Os três filhos e três netos estavam a realizar visitas familiares durante o primeiro dia do feriado muçulmano Eid al-Fitr no campo de refugiados de Shati, onde residiam em Gaza City.
O Hamas revelou na terça-feira que estava a analisar uma proposta de cessar-fogo israelita na guerra que já dura mais de seis meses, mas criticou a oferta por ser “intransigente” e por não atender a nenhuma das exigências palestinianas. “As nossas exigências são claras e específicas e não faremos concessões. O inimigo está iludido se pensa que ao visar os meus filhos, no clímax das negociações e antes da resposta do movimento, irá forçar o Hamas a mudar a sua posição”, disse Haniyeh.
Abdel-Salam Haniyeh, o filho mais velho de Ismail Haniyeh, confirmou a morte dos seus três irmãos numa publicação no Facebook: “Graças a Deus que nos honrou com o martírio dos meus irmãos Hazem, Amir e Mohammad e dos seus filhos”.
Ismail Haniyeh, nomeado para o cargo máximo do grupo militante em 2017, tem alternado entre a Turquia e a capital do Qatar, Doha, contornando as restrições de viagem impostas por Israel na Faixa de Gaza bloqueada. Esta mobilidade permitiu-lhe atuar como negociador nas últimas negociações de cessar-fogo ou comunicar com o principal aliado do Hamas, o Irão.
Israel considera toda a liderança do Hamas como terrorista, acusando Haniyeh e outros líderes de continuarem a “manipular os cordéis da organização terrorista Hamas”. Contudo, não está claro até que ponto Haniyeh tinha conhecimento prévio do ataque transfronteiriço de 7 de outubro contra Israel por militantes baseados em Gaza. O plano de ataque, elaborado pelo conselho militar do Hamas em Gaza, era um segredo tão bem guardado que alguns oficiais do Hamas no exterior pareceram surpreendidos pelo seu timing e escala.