Refugiados moçambicanos celebram a democracia sul-africana

18-04-2024

    Uma História de Esperança e Desilusão em Lillydale

    Em meio à efervescência política da África do Sul, uma história singular emerge da aldeia de Lillydale. Mariana Ubisi deu o nome de Vote ao seu filho depois de ele ter nascido no dia das primeiras eleições democráticas da África do Sul, em 1994, que levaram Nelson Mandela ao poder. O nascimento de Vote coincidiu com um marco histórico, quando milhões de cidadãos negros formavam longas filas para exercer o direito ao voto pela primeira vez.

    Apesar de não terem direito de voto, Mariana e o marido Ernesto, refugiados moçambicanos, estavam esperançados no fim do domínio da minoria branca. Ernesto, que sofreu maus-tratos por supervisores brancos enquanto trabalhava nas minas de carvão durante o apartheid, nunca se arrependeu do nome escolhido para o filho. “Imagino que foi porque estávamos a ouvir os cânticos a dizer ‘vote, vote, vote’ no rádio”, disse Mariana, uma curandeira tradicional.

    Três décadas após as eleições multirraciais, a realidade sul-africana é marcada por desafios persistentes. A nação arco-íris vislumbrada por Mandela enfrenta pobreza, desigualdade, corrupção e criminalidade. O Congresso Nacional Africano, partido de Mandela, enfrenta a possibilidade de perder a maioria pela primeira vez desde a vitória histórica.

    A família Ubisi ainda vive sem água corrente e as ruas de Lillydale permanecem sem pavimentação, apesar da proximidade com reservas de caça de luxo. O emprego é escasso e muitos jovens são atraídos para o crime. “A maioria dos jovens não vota. Estão desiludidos”, disse Vote Ubisi, agora com 30 anos e cidadão sul-africano, que trabalha como garçom e sonha em ser guia de campo.

    Vote planeja exercer seu direito ao voto nas próximas eleições de maio, embora não revele sua preferência partidária. “Você vota no partido que pode trazer alguma contribuição para a comunidade. É isso que procuro”, afirmou. A esperança de mudança permanece viva para Vote e muitos outros sul-africanos, apesar das adversidades enfrentadas desde aquele histórico dia de abril em 1994.

    Mariana Ubisi deu o nome de Vote ao seu filho depois de ele ter nascido no dia das primeiras eleições democráticas da África do Sul, em 1994, que levaram Nelson Mandela ao poder

    Por que Mariana Ubisi chamou seu filho de Vote?

    Mariana Ubisi nomeou seu filho Vote para promover a conscientização política e encorajar a participação eleitoral na sua comunidade.

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