Investigação Solicitada pelo Auditor-Geral
O auditor-geral instou o gabinete a investigar o comissário da Auditoria Interna por possível negligência no exercício das suas funções. Segundo um relatório divulgado na segunda-feira, a comissária não teria tratado adequadamente as alegações de conflito de interesses dentro do seu departamento.
O relatório especial do Gabinete de Auditoria sobre o Serviço de Auditoria Interna – um órgão independente liderado por um comissário – contém alegações do auditor-geral de que a comissária da Auditoria Interna “desvalorizou” uma queixa apresentada contra um funcionário do serviço, não agindo sobre a mesma e, portanto, não cumprindo com suas obrigações legais.
O caso em questão envolve um funcionário do Serviço de Auditoria Interna, acusado de usar sua esposa como ‘fachada’. O homem é também acusado de ter participado num conflito de interesses – situação na qual a sua chefe deveria ter agido, mas não o fez. O funcionário em questão detém uma participação de 67% numa empresa de tecnologia cibernética, mas é a sua esposa, professora de jardim de infância, quem figura como acionista.
A questão torna-se ainda mais complexa pelo fato de que o mesmo homem faz parte de um conselho de garantia de qualidade para um projeto público. O contrato relacionado ao projeto foi concedido pelo Ministério Adjunto da Pesquisa, Inovação e Política Digital e está ligado à segurança cibernética. Assim, o funcionário tem influência sobre os resultados da empresa que ganhou o contrato, monitorando a execução do mesmo. Uma vez que a empresa da esposa é concorrente direta no setor, o auditor-geral identifica isto como um conflito de interesses.
Após o assunto ser levantado, o funcionário em questão não negou sua participação na empresa da esposa. No entanto, informou à sua chefe – a Comissária da Auditoria Interna – que seu papel no conselho era meramente consultivo. A comissária, por sua vez, não detectou conduta imprópria por parte do funcionário e elogiou-o como um excelente profissional, comunicando ao ministério adjunto que desconhecia as atividades do seu subordinado fora do horário de trabalho.
O auditor-geral, surpreso com a abordagem da comissária perante a situação, escreveu ao ministério das finanças sugerindo que ela deveria ter sido alvo de procedimentos disciplinares por negligência no cumprimento dos deveres. Entretanto, em outubro de 2023, o Ministério Adjunto informou por escrito à comissária que não desejava mais os serviços consultivos do funcionário, levando-a a proibir tal atividade por parte dele.
Embora o ministério das finanças tenha discordado da visão do auditor-geral sobre a conduta da comissária, o Gabinete de Auditoria insiste que o caso ainda não está encerrado. No dossiê, apela ao gabinete – que nomeou a comissária – para investigar possíveis atos impróprios ou negligência no exercício das funções.
O Serviço de Auditoria Interna, estabelecido por lei em 2003, é uma agência independente encarregada de verificar a adequação dos sistemas de auditoria interna em todo o serviço civil.




