Desafios Económicos em Chipre: Governo e Bancos Sob Escrutínio
Num período marcado por excedentes crescentes e um aumento substancial dos saldos em caixa, o governo de Chipre tem sido criticado por não apoiar de forma eficiente a economia real e o bem-estar público. Com uma política de austeridade disfarçada de prudência fiscal, o governo tem restringido despesas, gerando superávits e impressionando agências de classificação de crédito, em vez de investir adequadamente na segurança social e nas transições verde e digital.
Em 2023, a despesa governamental representava apenas 40,2% do PIB, comparativamente à média da zona euro de 50%. Esta diferença é considerada irresponsável, refletindo a falha do governo em gastar adequadamente. A obsessão pelo superávit fiscal, que atingiu 3,1% do PIB em 2023, contrasta com o déficit médio de 3,6% do PIB dos membros da zona euro.
As medidas governamentais recentes para ajudar famílias e empresas com subsídios à eletricidade e assistência social totalizam apenas €35 milhões, apesar dos depósitos em caixa do governo ultrapassarem os €3,5 bilhões no Banco Central e €2,1 bilhões em bancos comerciais até o final de fevereiro de 2024. Além disso, a tributação excessiva tem reduzido os rendimentos disponíveis das famílias devido ao impacto da inflação.
Bancos Cipriotas: Lucros Altos e Pouco Apoio à Economia
Os bancos cipriotas têm sido acusados de comportamento egoísta e anti-social por não repassarem as altas taxas de depósito que recebem do BCE para os depósitos de seus clientes. Em vez disso, preferem depositar uma grande parte dos seus ativos no BCE, obtendo rendimentos sem risco. Em 2023, os lucros dos bancos cipriotas aumentaram 744%, para quase €1,3 bilhões, graças principalmente aos juros recebidos do BCE.
Comparativamente, os bancos sistemicamente importantes na Europa mantiveram uma proporção muito menor dos seus ativos em caixa, cerca de 13% em 2023, e utilizaram mais de 62% dos seus ativos em empréstimos e adiantamentos, contrastando com os 36% dos quatro maiores bancos de Chipre.
Enfrentando Desafios: Governo e Bancos Devem Agir
O governo cipriota é desafiado a alocar recursos mais eficientemente, cortando gastos excessivos com salários e investindo mais em benefícios sociais e projetos verdes e digitais. A luta contra a corrupção sistêmica e a evasão fiscal é crucial para realocar recursos governamentais para projetos prioritários.
Por outro lado, o novo governador do Banco Central de Chipre deve incentivar os bancos a utilizarem mais ativos para financiar atividades econômicas reais. A redução da taxa de depósito do BCE abaixo de 4% poderia encorajar os bancos a empregarem seus excedentes em empréstimos produtivos. Além disso, deve-se considerar a criação de um Banco de Desenvolvimento independente para avaliar e financiar projetos de investimento em larga escala.
Se os bancos continuarem lucrando sem apoiar significativamente a economia real, esses lucros poderiam ser mais taxados, redistribuindo parte da renda dos bancos para a economia e sociedade. Finalmente, é essencial que os bancos sejam pressionados a aumentar as taxas de depósito acima da taxa de inflação atual para proteger o valor real das poupanças dos cidadãos cipriotas.




