Agitação em Universidades dos EUA Leva à Intervenção Policial na USC
Em resposta a uma série de protestos que têm abalado o ambiente académico nos Estados Unidos, a polícia de Los Angeles evacuou um acampamento pró-palestiniano na Universidade do Sul da Califórnia (USC), no domingo, sem efetuar detenções. Este ato foi parte de uma onda de agitação que se espalhou por várias universidades do país, em resultado do conflito entre Israel e o Hamas.
A presidente da USC, Carol Folt, solicitou a intervenção da polícia, uma vez que a ocupação estava a tomar uma direção perigosa. A polícia e o Departamento de Segurança Pública da universidade começaram a remover as tendas por volta das 5h da manhã, horário local, enquanto os estudantes deixavam o local pacificamente. Segundo Folt, a operação foi concluída em 64 minutos, sem incidentes.
Este episódio contrasta com os confrontos ocorridos em dezenas de outros campus universitários pelo país, onde mais de 2.000 pessoas foram detidas. As manifestações tornaram-se um ponto sensível na política americana, especialmente num ano eleitoral contencioso, com o presidente democrata Joe Biden a procurar a reeleição.
Na UCLA, após confrontos entre manifestantes pró-Israel e pró-Palestina e mais de 200 detenções numa operação semelhante na quinta-feira passada, o Chanceler Gene Block anunciou a criação de um novo Gabinete de Segurança do Campus, liderado pelo ex-chefe de polícia de Sacramento, Rick Braziel.
Os protestos nas universidades também chamaram a atenção no cenário político nacional. O senador Bernie Sanders fez uma comparação dos protestos com aqueles contra a Guerra do Vietnã, sugerindo que estes poderiam ter um impacto significativo na política atual, tal como na época de Lyndon Johnson. Mitch Landrieu, co-presidente nacional da campanha de reeleição de Biden, considerou essa comparação um exagero, mas reconheceu a gravidade da situação.
Em meio aos protestos, incidentes isolados também ganharam destaque. Na Universidade do Mississippi, um vídeo viral mostrando estudantes brancos zombando de uma manifestante negra resultou na expulsão de um estudante da sua fraternidade e numa investigação de conduta estudantil pela universidade.
Na Universidade do Texas em Austin, cerca de 200 manifestantes pró-Palestina reuniram-se sob o olhar atento da polícia e drones. Os organizadores apelaram à paz e à não provocação das forças de segurança. Os protestos têm como um dos focos o apelo às universidades para desinvestirem em entidades ligadas a Israel e para pressionarem por um cessar-fogo em Gaza.
Os protestos universitários nos EUA refletem não apenas as tensões geopolíticas internacionais mas também as divisões internas e os desafios enfrentados pelas instituições educativas em tempos de grande polarização política.




