O Debate Sobre o Imposto Sucessório e a Redistribuição da Riqueza na Índia
Numa recente entrevista à agência de notícias ANI, o economista Gautam Sen criticou a proposta de um imposto sucessório e a ideia de um inquérito sobre a riqueza, sugeridos pelo líder do Congresso, Rahul Gandhi, como impraticáveis. Sen argumentou que a realização de inquéritos em todas as casas e negócios para fins de redistribuição da riqueza poderia levar a um tumulto econômico.
De acordo com Sen, apenas cerca de 2.4% da população na Índia paga impostos, e destes, não mais do que 1.2 milhões possuem ativos pessoais significativos. “Para forçá-los a ceder, teríamos que fechar seus negócios. Isso significaria caos econômico no ano seguinte”, explicou o economista.
Sen também expressou preocupação com a possibilidade de fuga de capital e talentos. “Os muito ricos, como os Ambanis, os Adanis, os Mahindras, os Tatas, e presumivelmente não mais do que 500 da classe bilionária, migrariam da Índia para Dubai”, disse ele, citando a ausência de imposto de renda em Dubai como um fator atrativo. Além disso, alertou que o re-registro de negócios nos Emirados Árabes Unidos resultaria em perdas significativas para a economia indiana.
Sen mencionou o exemplo da Suécia, onde a remoção do imposto sucessório levou ao retorno de riquezas ao país, melhorando o crescimento econômico e a arrecadação de impostos. “Na verdade, não ter um imposto sobre herança ou sobre a riqueza beneficiou o cidadão comum sueco”, observou.
Contrapondo-se à comparação feita anteriormente por Sam Pitroda, líder do Congresso, com as leis de herança dos Estados Unidos, Sen esclareceu que nos EUA existe o dever de propriedade e o imposto sobre doações, afetando apenas uma pequena fração dos falecidos.
Sen concluiu destacando que a combinação atual de criação de riqueza através de investimentos e infraestrutura com redistribuição da riqueza é um avanço significativo em relação ao passado e que a ideia de um imposto sucessório não foi bem pensada em termos de realismo econômico.




