Espera-se que as cervejeiras mundiais registem um aumento nas vendas de cerveja este ano
Após vários trimestres de declínio, as cervejeiras globais preparam-se para um aumento nas vendas de cerveja, impulsionadas por uma combinação de eventos desportivos, inflação mais lenta e padrões climáticos favoráveis. A Heineken e a Carlsberg já comunicaram volumes mais elevados após um período de declínio, enquanto as vendas da Anheuser-Busch InBev foram afectadas por um boicote, mas espera-se que melhorem.
A Heineken, segunda maior cervejeira do mundo, já reportou crescimento no volume de vendas no primeiro trimestre, o primeiro em mais de um ano. A rival Carlsberg também apresentou volumes mais altos após vários trimestres em queda. Por outro lado, a Anheuser-Busch InBev relatou uma queda menor do que a esperada nas vendas, indicando que o impacto do boicote à Bud Light nos EUA está a diminuir.
Analistas preveem um aumento de 1% no volume de vendas da Anheuser-Busch InBev ao longo do ano, com expectativas de retoma no crescimento já no segundo trimestre, o que seria o primeiro desde o primeiro trimestre de 2023.
O verão desportivo, com eventos como os Jogos Olímpicos de Paris 2024 e o Campeonato Europeu de Futebol de 2024, juntamente com a expectativa de um clima menos extremo que o do ano passado, deverá impulsionar as vendas, mesmo em regiões com mercados cervejeiros maduros como a Europa Ocidental. Jacob Aarup-Andersen, CEO da Carlsberg, destacou o otimismo para o crescimento futuro das vendas, especialmente com o aumento da procura nos mercados asiáticos.
Até recentemente, o crescimento das receitas das cervejeiras era predominantemente impulsionado por aumentos de preço, em resposta ao aumento dos custos de insumos como cevada e alumínio. Contudo, espera-se agora que esses custos estabilizem e que os aumentos de preço desacelerem.
Berndt Maisch, gestor de fundos na Tresides Asset Management, investidora da Carlsberg, e Siphelele Mdudu, analista de investimentos na Matrix Fund Managers, investidora da AB InBev, concordam que esta mudança de tendência beneficiará as margens. Volumes mais altos melhoram as margens ao otimizar a capacidade produtiva e, mesmo com a venda de cervejas a preços mais baixos, a redução dos custos contribuirá para a expansão das margens.
Em suma, as empresas cujo crescimento se baseia em preços tendem a ser menos valorizadas pelos investidores. “Como investidores, estamos prontos a pagar múltiplos mais altos se virmos os volumes a crescer”, conclui Maisch.




