Smartphones moldam conversação e tecido social atual

18-05-2024

    O Impacto dos Smartphones na Conversação e no Tecido Social

    Numa era onde os smartphones se tornaram onipresentes, David Le Breton, professor de sociologia e antropologia na Universidade de Estrasburgo, expressa preocupações profundas sobre o impacto destes dispositivos na nossa capacidade de conversar e manter o tecido social coeso. No seu livro, “The End of the Conversation? Words in a Spectral Society”, Le Breton distingue claramente a comunicação da conversação.

    Para o antropólogo, a comunicação mediada por ecrãs evoca noções de distância e ausência física, contribuindo para uma atenção fragmentada e um estado de alerta constante. As conversas, por outro lado, são vistas como encontros livres e presenciais, onde o silêncio e as pausas são valorizados e a atenção é dada ao rosto do outro, às suas expressões faciais e ao seu olhar.

    Le Breton relata uma cena familiar num restaurante em Taipei, Taiwan, onde uma família inteira, de várias gerações, mal trocava palavras, absortos que estavam nos seus dispositivos móveis. Este cenário é agora comum em todo o mundo, onde encontros familiares ou entre amigos são substituídos por novos costumes onde estamos juntos, mas separados por ecrãs.

    A crescente dependência dos smartphones também tem alimentado um sentimento de isolamento. As cidades parecem desertas, povoadas por “zombies” que caminham hipnotizados pelos seus dispositivos. A comunicação impõe-se no espaço público, muitas vezes sem consideração pelos outros. O medo de perder algo (FOMO) é particularmente prevalente entre os adolescentes, mas afeta todas as idades, levando a uma busca frenética pelo smartphone.

    Le Breton argumenta que as relações à distância são menos imprevisíveis e frustrantes porque exigem apenas a superfície do eu. No entanto, estas relações digitais fragmentam o laço social e não substituem a intimidade e os laços da vida real. A sociedade digital ocupa o tempo e oferece uma fuga do quotidiano, mas não fornece um sentido de vida.

    Em tempos de confinamento acelerado pela Covid-19, a sociabilidade digital não tem a mesma dimensão que a sociabilidade concreta. Apesar de algumas pessoas encontrarem conexão através do isolamento digital, Le Breton questiona se esse isolamento não será também consequência da falta de encontros na vida real.

    Com a comunicação a sobrepor-se à conversação, que se tornou um anacronismo para muitos, Le Breton alerta para o impacto significativo na qualidade do laço social e potencialmente no funcionamento das nossas democracias.

    Smartphones

    Como os smartphones afetaram as conversas presenciais?

    Os smartphones alteraram profundamente as conversas presenciais, muitas vezes distraindo os interlocutores com notificações constantes e criando uma barreira comunicativa pela atenção dividida.

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    Os smartphones podem diminuir a comunicação cara a cara?

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