Nos dias 6 e 7 de junho de 2024, mais de 20 representantes sindicais da região do Caribe reuniram-se na histórica sede do Sindicato dos Trabalhadores de Antígua para um workshop sobre justiça fiscal corporativa e modelos de desenvolvimento sustentável. O evento, parte dos esforços globais de capacitação da NUTJ, destacou a importância de analisar a política de Imposto sobre o Rendimento das Sociedades (CIT) a partir da perspectiva dos trabalhadores caribenhos.
Explorando Padrões Fiscais Globais
Os participantes exploraram as implicações dos padrões fiscais globais, como BEPS e Pilar 2, reconhecendo a herança da colonização e a natureza egoísta das regras fiscais globais para o Norte Global. As discussões sublinharam os sistemas fiscais regressivos na região, que impõem uma alta carga sobre os consumidores através de impostos sobre bens e serviços, enquanto indivíduos ricos e corporações enfrentam uma tributação mínima. Esta disparidade tem levado a desigualdades significativas e a serviços públicos subfinanciados.
Revelações da CICTAR
Uma apresentação chave do Centro para a Responsabilidade e Pesquisa Fiscal Corporativa Internacional (CICTAR) revelou as práticas da empresa canadense de energia Emera, que opera em vários países do Caribe, Canadá e EUA. A análise da CICTAR indicou que a Emera não paga impostos corporativos no Caribe devido a incentivos fiscais destinados a encorajar investimentos privados. No entanto, esses investimentos não têm beneficiado significativamente os serviços públicos essenciais. A análise mostrou que, apesar de pagar algum nível de CIT, a Emera investe até cinco vezes mais por cliente por ano em infraestrutura na América do Norte em comparação com o Caribe.
Chamadas para Análise e Transparência
O workshop concluiu com apelos para uma análise minuciosa das escolhas políticas e uma avaliação transparente dos benefícios do Investimento Estrangeiro Direto (FDI). Os participantes enfatizaram que, embora atrair FDI seja teoricamente benéfico para aumentar as receitas através de licenças e taxas, a falta de transparência torna incerto se esses investimentos criam empregos de qualidade. Além disso, os sindicatos caribenhos foram instados a reiniciar o debate sobre políticas industriais, vendo isso como uma via para mais pesquisas e ações futuras.